Celebramos o “Corpo de Cristo”, uma das celebrações mais ricas que nos faz pensar em seu conteúdo e simbolismo... mas, que nos faz pensar então neste “Corpo de Cristo” no meio de tantos outros corpos?
Aceitamos, pela fé, a presença real de Cristo na Eucaristia; isso implica comunhão bem maior com sua vida, seu testemunho de amor, de partilha, solidariedade, dedicação pela transformação de tudo aquilo que não dignifica a vida ou não dignifica os “corpos”.
Cristo, em sua prática e prédica, sempre teve um profundo amor pelo outro, um profundo respeito pela vida e pela maneira de ser e pensar do outro, que jamais humilhou, explorou, manipulou, ofendeu, abusou, castigou, usou...
Participamos, com muita fé, dedicação e respeito, das celebrações do “Corpo de Cristo”, mas pode ser que, às vezes, façamos uma profunda cisão ou ruptura entre o que celebramos e a realidade que nos cerca, ou seja, os famosos “corpos”: explorados, manipulados, usados, escravizados, destruídos...
Pode ser que, às vezes, tenhamos um profundo amor e respeito pelo “Corpo de Cristo vivo e presente na Eucaristia”, e não o vejamos nos “corpos” que estão aí, aqui, ali, lá, dos nossos lados...
Olhar da fé? Indiferença? Medos dos corpos? Amor a Cristo?...
Parece-me que não sabemos lidar muito bem com esse estranho e (des)conhecido que são os nossos “corpos”. Às vezes, pode ser que tenhamos um certo medo de conhecê-los, tocá-los, sentí-los, acariciá-los, respeitá-los, tanto os nossos como o Corpo de Cristo.
Temos muito o que pensar e rezar diante dos corpos, tanto diante do Corpo de Cristo, como diante dos corpos que passam fome, que são explorados, que sofrem e não vamos nos esquecer: Corpo de Cristo... pão... comunhão, outro, fome, pão... partilha... celebração, amor, corpos...
* Me fascina Cristo diante dos corpos doentes... cura.
* Me fascina Cristo diante do corpo pecador... ama, perdoa, abençoa, encoraja.
* Me fascina Cristo diante dos corpos esfomeados: alimenta, multiplica os pães.
* Me fascina Cristo diante do corpo sem vida: levanta-te, Lázaro, vida nova.
* Me fascina Cristo... corpo, sangue, pão... vida... mudança, partilha, afeto.
* Me fascina Cristo diante do corpo da criança: brinca, anima, incentiva.
* Me fascina Cristo diante dos corpos que exploram/roubam: protesta, recusa, não façam da ca-
sa de meu Pai um covil de ladrões; ai de vós, fariseus hipócritas, que se preocupam demais
com as aparências dos “corpos”... e não vêm o conteúdo.
* Me fascina Cristo na Cruz, doando seu corpo para a saúde de todos.
* Me fascina a pessoa que doa, num grande, belo e corajoso gesto de amor, seus órgãos para a
saúde e felicidade dos outros... corpos.
Cristo me fascina por ter coragem de ser diferente da sua época, por ser ele mesmo e estar profundamente integrado com seu corpo, colocando-o a serviço e crescimento do outro... do outro corpo.
Como é bom termos essa oportunidade de mais uma vez celebrarmos o “Corpo de Cristo”, que nos alimenta e nos faz re-pensar nossa postura diante dos corpos... tanto do próprio Corpo de Cristo, como do corpo do irmão e irmã que amam e sofrem ao meu lado, ao nosso lado... corpos.
Como seria bom se pudéssemos olhar, valorizar, respeitar, amar, cuidar dos corpos dos nossos irmãos e irmãs mais necessitados do mesmo amor e zelo que temos pelo Corpo de Cristo... quem fizer isso a um menor dos meus... é a mim que o fizestes..., corpos, amor, respeito, doação.
Cristo/Eucaristia... perceber e amar a presença real de Cristo no corpo... do outro:
corpos magros, corpos altos, baixos, belos, outros nem tanto, corpos sadios, corpos doentes, corpos vestidos, corpos nus, bronzeados, sedutores, corpos nas revistas, nas televisões, nos carnavais, nas campanhas de publicidade, corpos explorados, corpos destruídos pelo trabalho, pela fome, pela exploração... corpos.
Frei Sérgio
domingo, 11 de julho de 2010
CRISTO SE FAZ CORPO...
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